Abstinência

Oi Galera,

Faz um tempão danado que não escrevo. Até tinha tido umas ideias que vou colocar aqui, mas fica pra depois. Hoje quero falar de uma matéria que li no Globo, no caderno País, pág. 11. A reportagem é assinada por Evandro Éboli.

Ele relata que os deputados cristãos estão profundamente incomodados com a campanha do Ministério da Saúde e se reuniram com o Padilha. São eles os deputados Benedita da Silva e Anthony Garotinho e o senador Magno Malta, cuja pregação versa sobre a abstinência. Gente, fala sério! Todo mundo espera o carnaval pra liberar a rodinha e molhar o biscoito, afogar o ganso até mandar parar… Vamos deixar de hipocrisia, minha gente.

 

Deputado Garotinho, não é porque você casou-se com uma mocreia totalmente desprovida de “secsiapial” que todo mundo tem de pagar por isso, né? Deputada Benedita, a senhora então, que se casou com o Pitanga, famoso no meio artístico não pela capacidade de bem representar papéis, coisa que jamais teve, ator medíocre que sempre foi, mas pela, digamos assim, natureza generosa, não pode querer que todo mundo fique abstêmio.

E o Malta, nem sei de que malta ele faz parte nem que apito toca, mas é feio pra cacete. Sexo é a melhor coisa do mundo. Tem de ser feito sim, com muito amor e segurança. E quem quiser não fazer, também tem de ter esse direito, mas sem ser por repressão.

Esse papo fundamentalista de que sexo é só pra reprodução é a conversa mais antinatural do planeta. Até os animais fazem sexo só por prazer.

E vamos rosetar no carnaval, porque a vida é curta!

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A oposição do DEMo.

Deu na Folha de hoje:

OPOSIÇÃO

DEM é vital para projeto alternativo de poder, diz Aécio

DE BRASÍLIA – Na primeira visita a Brasília desde que se elegeu senador, o ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu ontem a unidade do DEM.
Em meio ao racha que atinge a legenda de oposição, Aécio disse que a unidade do partido é fundamental para que se construa no país um “projeto alternativo de poder” ao governo do PT.
“Os embates para valer nós vamos enfrentar é com os nossos adversários”, disse Aécio.
O tucano se reuniu com o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e líderes da sigla sem a presença do ex-senador Jorge Bornhausen (SC), desafeto de Maia.
Aécio fez elogios públicos a Maia numa tentativa de demonstração de força do atual presidente do DEM.
De acordo com o ex-governador, unido, o DEM tem um “papel vital” no processo eleitoral do país.
“Se soubermos fazer uma oposição qualificada, vamos nos transformar em uma alternativa viável de poder”, afirmou o tucano ao grupo de democratas.

Eu só me lembro dos integrantes desse tal partido dos democratas como defensores da nada saudosa ditadura militar. São nomes que estavam lá, na época da Arena, permaneceram no PDS, depois no PFL e agora escondem-se no apropriado nome de DEMO, afinal, pra mim representam mesmo o tinhoso, aquele que não se diz, o pai da mentira, o canho, e todas aquelas denominações gracilianoramianas.

Mas não defendo a extinção do partido por isso. Só acho graça em vê-los na oposição. Pelo visto, só eram acostumados às benesses do “pudê”. Quando as perderam, perderam também o rumo das coisas.

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Seja marginal, Seja herói – Hélio Oiticica

A frase acima era um lema inspirado na ordem da década de sessenta do século XX. A ditadura militar imperava e quem estava dentro da lei era favorável ao regime de terror estatal implantado pelos milicos em 1964. Era um tempo em que fumar um baseado era ser contracultura. A onda hippie, desvirtuada como chegou ao Brasil, pegou e parte da juventude era favorável ao amor livre, à falta de banho e ao uso de drogas psicotrópicas. Esse era o herói nacional, o cara que pregava contra “tudo isso que está aí” e por isso era marginal.

Em 1988, com a promulgação da nova Constituição Federal e a instituição de um Estado Democrático de Direito, a marginalidade heroica caiu de moda. Ser marginal agora é ser contra o que está estabelecido por uma Constituição democraticamente redigida. Pode não ser perfeita, pode não ser a melhor do mundo, pode até ser prolixa, mas foi amplamente discutida por uma Assembleia Nacional Constituinte, cuja investidura ocorreu por meio de uma votação livre. Eram lá todos representantes do Povo. Nossos representantes. Agora, não cabe mais lutar na marginalidade. Todos os partidos, ideologias, religiões, posições políticas, pessoais e de pensamento estão protegidas pelo art. 5º, o mais belo de toda a Carta. Nesse artigo baseiam-se todas as liberdades e garantias individuais. Hoje a polícia não pode mais, sem razão nenhuma, parar o cidadão na rua, invadir-lhe a casa na calada da noite, sem mandado judicial, prender para averiguações, com base tão somente em uma suspeita de subversão.

As imagens amplamente divulgadas em 27/11/2010, dos policiais militares, civis e federais, auxiliados pelas forças armadas, tomando o conjunto de favelas denominado Complexo do Alemão mostram como a população hoje vê o marginal. Esse marginal instalou-se na favela também como herói. Chegou lá dando o apoio que o Estado jamais deu. Era ele quem levava a parturiente à maternidade, protegia os idosos e comerciantes contra roubos e furtos. Mas não fazia isso pelos moradores, mas por interesses escusos próprios, já amplamente discutidos pelos sociólogos. Uma vez instalado, como inexiste vácuo de Poder, o marginal apoderou-se dele.

Ontem foi um início. A primeira grande batalha, mas a guerra contra a marginalidade e a criminalidade não se encerram somente em ações policiais, como também já foi exaustivamente discutido. Todas as soluções já foram discutidas e todas envolvem a justiça, esse bem tão precioso, almejado por todas as sociedades. E não só a justiça do Direito, mas a JUSTIÇA mesma, o ideal de equanimidade, a cada um de acordo com o seu merecimento.

Hoje o marginal não pode mais ser o herói.

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E não adianta falar mal do governo

Esta história não tem a menor graça, afinal é uma história que termina em morte de um inocente. Um homem, um pouco mais velho que eu morreu de ataque cardíaco entre um consultório e uma unidade básica de saúde, na cidade de São Paulo. Isso não é culpa do governo, não. É culpa nossa, de cada um de nós, da nossa falta de respeito com a vida humana.

Se fazemos isso com um irmão, um semelhante, imagina o que podemos fazer com os outros animais, com o planeta?

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/820889-homem-morre-em-frente-a-ps-e-corpo-fica-na-rua-por-quase-quatro-horas-em-sp.shtml

E foi por pura desídia dos profissionais da saúde. Poderia ter acontecido da mesma forma numa clínica ou hospital particular, muito embora tais instituições também tenham a obrigação de atender a todos e pelo juramento de Hipócrates, todos os médicos têm de prestar socorro.

O fato é que o pedreiro morreu por falta de atendimento. A culpa, neste caso particular, é dos indivíduos que atendem, e não do péssimo sistema de saúde nacional.

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laranjada amarga

A Weslian, aquela que, em nome do amor, candidatou-se ao governo do Distrito Federal, agora promete coisas que não pode cumprir, para ver se angaria votos dos ignorantes. O pior foi a filha dela, sentindo-se ofendida porque a mãe foi chamada de mulher laranja. Claro que nenhuma mulher quer se ver associada a essa fruta, mesmo que, no sentido político, tenha uma conotação completamente diferente do que ocorre no imaginário feminino comum. Laranja, para elas, é uma fruta associada diretamente à celulite. Creio que a Weslian deve ter alguma celulite, de tanto comer bolinho em chás  de caridade.

Mas a caçulinha do clã devia se preocupar mais com a roubalheira de papai Joaquim. Isso é muito mais vergonhoso do que chamar a mamãezinha dela de laranja, que é o que a cretina é. Em nome do amor? Faça-me o favor. É em nome da submissão. Quem é que, em sã consciência, se submeteria àquele massacre que foi o debate? e quem expõe a própria esposa àquele ridículo?

Agora ela é um hit do youtube, fizeram música com as besteiras que ela falou na ocasião. Ficou, como ela, patético.

Enfim, a família inteira é completamente sem noção. Ou não. Têm total noção de que podem roubar adoidadamente e nada vai acontecer com eles.

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qual é a palhaçada maior

Deu no Correio Brasiliense de hoje que a estratégia dos advogados de defesa do deputado palhaço paulista é se utilizarem todos os recursos disponíveis, até que a ação chegue ao Supremo Tribunal Federal. É uma estratégia legítima, legal, mas nem por isso inocente. O tal Partido da República contava com a popularidade do palhaço-candidato para levar, por conta do coeficiente eleitoral, outros candidatos menos expressivos para Brasília.

Segundo a matéria do Correio, o PR está pagando um professor particular, de modo  a conseguir a alfabetização do Tiririca antes dele ser chamado a comprovar se já sabia ler quando foi eleito. Ou seja, é utilizar-se de má-fé mesmo. Por que não se preocuparam com isso durante a campanha? É revoltante a utilização do sistema para o benefício de alguns, sejam eles quem forem. Como disse o promotor eleitoral que acusa Tiririca de analfabetismo, os advogados são dados a práticas sórdidas mesmo, de modo a distorcer o sentido e o espírito das leis para beneficiar seus clientes, mas essa atitude ultrapassa os limites da moralidade pública.

Claro que é uma generalização meio absurda o que o promotor fez, porque tanto há calhordas em todas as profissões, como há gente honesta também atuando na advocacia. Há profissionais que não pegam causas com as quais não concordam, ou defendem seus clientes nos mais estritos limites da ética, da moralidade e da legalidade. Mas esse eposódio assume uma gravidade extra. Não se trata do interesse individual, da simples defesa de uma causa civil, previdenciária ou mesmo administrativa contra o Estado, em que o cidadão está de um lado defendendo seus interesses legalmente protegidos. Não. Neste caso, o fato de um analfabeto ser eleito para a câmara dos deputados é de uma seriedade ímpar.

Naquela casa são discutidas as leis que regulamentam as nossas vidas. Tudo o que nos aflige ou nos beneficia é objeto de análise pelos deputados. Há um enorme número de projetos sendo analisados diariamente, todos escritos. Se um indivíduo não consegue “ler de carreirinha”, mesmo que isso não seja culpa exclusiva dele, mas de toda a estrutura de ensino – que já foi objeto de outros posts – não pode opinar. Não há como votar, formar uma opinião, primária que seja, sobre assuntos de extrema gravidade, como a criação de um imposto, aumento de alguma taxa pública, liberação ou proibição de atitudes, relacionamentos familiares, patrimoniais, de sucessão, trabalhistas etc.

São, enfim, assuntos complexos e que nos afetam diretamente, e às vezes trazendo grande prejuízo à sociedade. Diferentemente da eleição do Cacareco para prefeitura do Rio de Janeiro na década de sessenta, que representou um protesto contra a situação vigente à época, a eleição de Tiririca é um grande perigo para o sistema democrático como um todo. Alguns podem ter pensado que votando no palhaço teriam descarregado algum tipo de frustração com “tudo isso que está aí”, mas no fundo, acabaram por servir à manobra subreptícia de alçar à câmara dos deputados uma meia dúzia de inexpressivos nomes, que durante quatro anos discutirão diversos assuntos que nos afetarão por todo o resto de nossas vidas. A quem, de fato, foi dirigido o protesto?

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Piada ao vivo

Hoje rolou uma notícia no Globo que me lembrou uma piadinha:

Três amigos estão num boteco conversando e um deles pergunta: O que você gostaria que dissessem no seu velório:

Amigo número um – Eu gostaria que dissessem de mim que fui um grande profissional, muito ético e competente;

Amigo número dois – Já eu gostaria que dissessem que fui um grande pai de família, um exemplo para meus descendentes;

Ambos perguntam então – E você?

- Ah, eu gostaria que dissessem: Olha, ele está se mexendo!

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/10/20/idoso-de-80-anos-dado-como-morto-se-mexe-em-caixao-ao-ser-preparado-para-velorio-na-paraiba-922833728.asp

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